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    » Ao trazer duas medalhas para o Brasil, o skate mostra que mais do que um esporte, é um estilo de vida divertido e saudável



    Redação Anuncifácil

     

    O skate se consagrou. Antes tratado como esporte marginalizado, ele acaba de ganhar status de grande arte, com as medalhas de prata conquistadas na Olimpíada de Tóquio pelo atleta Kelvin Hoefler, de 28 anos, e pela garota Rayssa Leal, de apenas 13 anos. Se já era popular, a tendência é ficar ainda mais. As vitórias brasileiras nas competições olímpicas escancararam a realidade de uma atividade saudável, que cativa gente de todas as idades e que ocupou as ruas, praças e ciclovias das grandes cidades brasileiras. Há diversas pistas para a prática em todo o País, construídas em clubes e condomínios, mas também pelas próprias prefeituras como áreas de lazer destinadas à população. Além do mais, o skate pode ser um bom meio de transporte.

    O especialista em mídias digitais, Luiz Américo, sempre usou seu skate para auxiliar na hora de trocar de metrô e pegar um ônibus. No lugar de uma caminhada, ele conta com o auxílio das rodinhas. “Moro em São André (no ABC paulista) e, para me deslocar até o escritório do Google, fazia diversas baldeações com o meu skate”, diz. Apesar dos 45 anos, Luiz parece ter a metade da idade — seu vestuário, com meias altas e tênis da marca “Vans”, combinados com sua maneira de falar, mostram o impacto que o agora esporte olímpico causa nas pessoas. “É um estilo de vida”, diz. Se na época em que ele começou a praticar não havia o contato com grandes atletas brasileiros, sua inspiração veio com o filme “De volta para o futuro 2” onde o personagem Marty McFly, vivido por Michael J. Fox, anda com um skate voador. “Aquilo me marcou muito”, reflete.

    A cultura que gira em torno da prática do skate movimenta bilhões de dólares ao redor do mundo e milhões no Brasil: customizar o próprio skate pode sair caro, isso sem contar nas diversas marcas de luxo que focam no “streetwear”. Até a grife francesa Louis Vuitton tem coleções voltadas ao estilo de se vestir dos skatistas. Os últimos dados coletados pela Confederação Brasileira de Skate (SBSK) mostram que foram movimentados mais de R$ 20 bilhões no mercado global do esporte. A pesquisa realizada pelo “Global Skateboarding Equipment Market” analisou dados entre 2016 a 2020. Estima-se que por aqui, o mercado movimenta aproximadamente R$ 300 milhões por ano, segundo dados da SBKS. No Brasil, uma pesquisa do Datafolha, realizada em 2019, apontou que 8,5 milhões de brasileiros andam de Skate, sendo que 2,2 milhões são mulheres. Só durante a Olimpíada, as buscas por modelos de skate cresceram 135% na plataforma de vendas OLX.

    A produtora de cinema Thelma Flores, responsável por produções nas plataformas de streaming Netflix e Amazon Video, diz que o skate faz parte da sua vida, tanto que passou a atividade para os filhos e o marido. Aos 37 anos, ela tem no skate sua atividade física favorita. “É muito legal sair com toda a família para andar de skate. Quando eu era adolescente meus pais tinham preconceito, diziam que não era coisa de menina”, diz. Mãe de uma garota de nove anos e de um menino de seis, viu seus filhos pedirem para andar de skate após a conquista da Rayssa. “Estávamos um pouco parados por causa da pandemia, mas no dia seguinte da vitória as crianças pediram e meu marido os levou no parque para que praticassem, a inspiração dela é grande”, afirma.

    Até figuras improváveis, como executivos de grandes empresas, se rendem ao esporte. Artur Maniero, diretor de uma grande construtora que atende todo o País, não tem a aparência de quem anda de skate. Sem tatuagens, com roupa social e um cargo importante — não cabe no estereótipo do skatista clássico. “Comecei a praticar já adulto, como brincadeira e até participei de uma competição em que fiquei em primeiro lugar. Ganhei R$ 3 mil como prêmio e mesmo não precisando do dinheiro, a emoção foi indescritível”, diz. Quando consegue sair cedo do escritório, algo raro atualmente, vai até o Parque Villa Lobos na região Oeste de São Paulo. Com diversas modalidades — das mais radicais até as mais simples — o skate tem tudo para crescer ainda mais no Brasil.

    Nem sempre o skate foi visto com bons olhos. A cidade de São Paulo, por exemplo, proibiu primeiro a prática do esporte em 1986 — inicialmente o então prefeito Jânio Quadros não queria skatistas no Parque do Ibirapuera. Dois anos mais tarde, a proibição se estenderia para todo o estado. Andar de skate era uma prática transgressora. E, apesar da proibição em São Paulo ser a mais documentada, o movimento aconteceu em diversos estados — a polícia, quando não prendia quem praticava a modalidade pelas ruas, apreendia o skate de seus donos. Toda a cultura que dominava o universo do esporte era marginalizada. As roupas, a coragem e as músicas — tudo era considerado como uma ameaça.

    De origem californiana, o skate chegou ao Brasil no final da década de 1960 e deixou de ser criminalizado na capital paulista apenas em 1990, quando a prefeita Luiza Erundina ganhou as páginas dos jornais subindo em um skate aos 56 anos. Agora, a pequena prancha sobre rodas é um motivo de glórias esportivas e de exaltação de uma maneira saudável de viver. Kelvin e Rayssa sacramentaram a popularidade do skate. A atleta Letícia Bufoni, uma das grandes inspirações de Rayssa, que chegou a ir a um programa de televisão conhecer a idola, vestida como uma fada. “Ando de skate há vinte anos e sempre quis ser uma referência para as meninas, assim como fui para a Rayssa. Agora estamos fazendo crescer ainda mais essa corrente para inspirar as novas gerações”, disse Leticia à ISTOÉ. (ISTOÉ)


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