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    » O Evangelho do Domingo



    Redação Anuncifácil

     

    O Evangelho que foi proclamado na liturgia no domingo chama a atenção para a dificuldade dos Apóstolos de crerem que Jesus ressuscitara e que estava vivo no meio deles. Cada vez que Jesus aparecia, eles se assustavam e ficavam cheios de medo, pensando ser um fantasma. Parece que, na concepção deles, ressurreição era uma volta a vida normal, à semelhança do que tinha acontecido com Lázaro, a filha de Jairo e o jovem de Naim. A ressurreição de Jesus, no entanto, era diferente. Ao mesmo tempo que comia com eles e mostrava suas chagas para demonstrar que não era um fantasma, mas um corpo real, Jesus desaparecia e se tornava invisível.

    A ressurreição de Cristo ensinou aos Apóstolos e ensina a nós que entre o corpo físico e o corpo ressuscitado existe continuidade e descontinuidade. O corpo de Cristo ressuscitado não é um outro corpo. É o mesmo corpo que ele tinha quando andava pelas estradas poeirentas da Palestina. É o mesmo corpo, mas totalmente transformado, ou seja, como diz São Paulo, o corpo de Cristo agora é um corpo espiritual, glorioso, incorruptível. O corpo de Jesus ressuscitado não está mais submetido às limitações de espaço e tempo. Ele as transcende e as domina completamente. Sua presença agora vem de outra parte, vem do mundo divino, vem de Deus.

    Se foi difícil para os Apóstolos compreenderem e aceitarem que Jesus havia ressuscitado, com certeza muito mais difícil haveria de ser para os pagãos ao escutar a pregação dos primeiros missionários, como se pode perceber na cena de São Paulo no Areópago em Atenas, descrita nos Atos dos Apóstolos: “Quando ouviram falar da ressurreição dos mortos, alguns caçoavam. Outros diziam: ‘A respeito disso te ouviremos ainda uma outra vez” (At 17,32).

    A mesma dificuldade aparece entre os fiéis da comunidade de Corinto. O Apóstolo Paulo, diante de alguns que negam a ressurreição, é enfático: Eu vos transmiti, em primeiro lugar, o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas e depois aos Doze. A seguir, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez; a maioria deles ainda vive, e alguns morreram. A seguir apareceu a Tiago, depois a todos os apóstolos. Em último lugar, também me apareceu a mim, o aborto. Se se proclama que Cristo ressuscitou dos mortos, como é que alguns dentre vós dizem que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou, e se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia, e vazia também a vossa fé” (1Cor 15,3-8.12-14).

    Ainda hoje, a fé na ressurreição de Cristo e, consequentemente na nossa ressurreição, causa dificuldade para os crentes. Não nos espantemos. Se os Apóstolos e os primeiros discípulos tiveram suas dificuldades para crer, não é surpreendente que também nós tenhamos as nossas.

    Hoje, crer na ressurreição significa comprometer-se com a vida, pois a ressurreição é vitória da vida sobre a morte, é a morte da morte. Seria incongruência de nossa parte professar que “cremos na ressurreição da carne”, se não cuidássemos de nossa própria vida, da vida das outras pessoas, bem como da vida de toda a natureza, pois também ela, a natureza, está esperando como que em dores de parto o dia da libertação (cf. Rm 8,22).

    Neste sentido, o Papa Francisco na Encíclica “Laudato Sì” faz esta afirmação: “Na expectativa da vida eterna, unimo-nos para tomar a nosso cargo esta casa que nos foi confiada, sabendo que aquilo de bom que há nela será assumido na festa do céu. Juntamente com todas as criaturas, caminhamos nesta terra à procura de Deus, porque, ‘se o mundo tem um princípio e foi criado, procura quem o criou, procura quem lhe deu início, aquele que é o seu Criador’. Caminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupação por este planeta não nos tirem a alegria da esperança” (LS 244).

    Portanto a fé na ressurreição se concretiza “quando os cristãos se comprometem na luta pela paz, pela justiça, pela liberdade, pelo nascimento de um mundo mais humano, mais fraterno, mais solidário; Jesus está vivo e continua a realizar aqui e agora o projeto de salvação de Deus, quando os seus cristãos oferecem aos coxos a possibilidade de avançar em direção a um futuro de esperança, oferecem aos que vivem nas trevas a capacidade de encontrar a luz e a verdade, oferecem aos prisioneiros a possibilidade de ter voz e de decidir livremente o seu futuro” (Comentário ao Evangelho do 3º Domingo da Páscoa feito pelos Dehonianos de Portugal).


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